Cantinho da Disciplina

João 3:16 -"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Ceia do Senhor



Em suas epístolas quando Paulo queria se referir ao Espírito de Deus escrevia "Espírito Santo".
Porém, quando escrevia "o Espírito" se referia ao Deus Triuno, ou seja, o Deus que passou por todo um processo.
Ora, Deus habita em luz inacessível 1 Timóteo:
1 Timóteo 6: 16 - "Aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver."
Mas que um dia se tornou homem, Jesus. Como não podemos ver a Deus, que é um Espírito, ele se tornou homem para que pudessemos vê-lo.
João 14:9 - "Quem me vê a mim vê o Pai."
João 10:30 - "Eu e o Pai somos um."
Esse Deus corporificado não poderia estar sempre conosco, porque estava limitado pelo tempo e espaço.
Então ele teria de passar pela morte; se não morresse não poderia haver ressureição.
E ao ressuscitar o filho tornou-se "o Espírito", 1 Coríntios.
1 Coríntios 15: 45 - "Assim está também escrito: O primeiro homem Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em Espírito vivificante."
O "último Adão" é o Senhor Jesus. Agora, como Espírito ele não sofre mais restrições com relação as coisas materiais, por não estar mais limitado pelo tempo e espaço.
Ele é onipresente, está em todo lugar, podendo assim estar conosco o tempo todo.
Esse temo Espírito é especial, pois não se refere somente ao Espírito Santo, mas ao Espírito de Deus após a encarnação, viver humano, crucificação, ressurreição e ascensão de Cristo. Inclui, portanto, o Espírito de Deus.
Gênesis 1: 2 - "e o Espírito de Deus se movia  sobre a face das águas."
O Espírito de Jeová:
Juízes 3: 10 - " E veio sobre ele o Espírito do Senhor."
O Espírito Santo:
Mateus 1: 18 - " achou se ter concebido do Espírito Santo."
O Espírito de Jesus:
Atos 16: 7 - "mas o Espírito de Jesus não lho permitiu."
O Espírito de Cristo:
Romanos 8: 9 - "Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele."
O Espírito de Jesus Cristo:
Filipenses 1: 19 - " pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo."
Esse é o Espírito que o Senhor afirmou que receberiam todos que nele acreditassem, e que João afirma no seu Evangelho que ainda não existia, por não ter sido Jesus ainda glorificado.
João 7: 39 - "E isso disse ele do Espírito, que haveriam de receber os que nele cressem ; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado."
Portanto o "Espírito" é a consumação final e máxima do Deus Triúno, que ao entrar em nós, nos dá vida.
Não são vários Espíritos, mas vários aspectos do mesmo e único "Espírito", todo inclusivo.
Na nossa vida espiritual, na igreja, temos a comunhão do partir do pão que chamamos de Mesa do Senhor, Ceia do Senhor ou ainda Santa Ceia.
Segundo a Palavra de Deus essa reunião possui dois aspectos: um que faz referência a "mesa" e outro, que faz referência a "ceia".
Para maior compreenção vamos analisar 1 Coríntios.
1 Coríntios 10: 14-16 - Portanto, meus amados, fugi da idolatria.
15 Falo como a entendidos: julgai vós mesmos o que digo.
16 Porventura, o cálice de benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura, a comunhão do corpo de Cristo?"
Vemos, então, que no versículo 14 em vez de dizer: portanto vamos celebrar a mesa do Senhor, Paulo diz "fugi da idolatria".
Mas, deixemos por enquanto o aspecto idolatria e vejamos o aspecto mesa.
A mesa do Senhor é a nossa participação no Senhor, o nosso desfrute do seu corpo.
Já o aspecto Ceia diz respeito a cerimônia realizada para que nos lembremos dele, e também do seu sacrifício que foi efetuado a nosso favor.
Olhando a Palavra de Deus por esse prisma temos dois aspectos distintos: o da vida e o da obra.
Na Bíblia muitas verdades são reveladas utilizando-se esses dois aspectos.
Por exemplo: em Mateus, revela que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, vemos esses dois aspectos:
Mateus 16: 16 - "E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo."
Cristo faz referência a comissão dada a Jesus, ou seja, a incumbência de trazer a Terra o Reino de Deus. 
Já Filho de Deus faz referência a sua pessoa o ser divino.
Por isso temos aqui os aspectos da obra e da vida.
Estudemos primeiramente a palavra "mesa". Ela indica o aspecto da vida, que é o desfrutar do Senhor, participar dele, ser um com os irmãos no Corpo de Cristo; portanto comer e beber do Senhor.
A mesa representa o aspecto do viver diário com nosso Senhor.
No tabernáculo, de acordo com o Antigo Testamento, havia a mesa dos 12 pães da proposição, como porção dos sacerdotes, ou seja, daqueles que serviam a Deus.
Nós, como sacerdotes de hoje, temos também parte nos pães da proposição.
Quando se fala "mesa" se pressupõe o envolvimento de muitas pessoas, ou seja, um desfrute coletivo.
Em primeira Coríntios Paulo fala da comunhão do sangue de Cristo e da comunhão do corpo de Cristo.
O que significa comunhão?
Significa desfrute, participação, ter parte, ter algo em comum.
Comunhão com Cristo significa ter parte no Filho, pois ele é a porção que Deus nos deu.
O próprio Jesus mencionou as palavras "sangue" e "corpo", portanto, trata-se realmente de comer e beber. Portanto o que faltava aos Coríntios era mais desfrute de Cristo;  sendo por isso que havia tantos problemas.
Você murmura? Está descontente, insatisfeito? Precisa comer mais do Senhor, desfrutá-lo mais.
Esse é o Cristo crucificado e ressurreto, com o qual somos um só espírito. Precisamos desfrutá-lo mais, e é sobre isso que Paulo fala.
Nos capítulos 8, 9 e 10 fala-se na questão de comer e beber.
No capítulo 8 Paulo fala sobre comer do que é sacrificado aos ídolos. No 9 ele insere um exemplo pessoal e no 10 ele trata novamente da questão de comer e beber.
Para entendermos melhor esse contexto do sangue e do corpo, vejamos o que Jesus falou a esse respeito no Evangelho de João.
João 6: 27 - "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o salvou."
Ou ainda no versículo 32 mesmo capítulo:
João 6: 32 - "Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu."
O pão em 1 Coríntios 10 é o pão da vida, o pão de Deus que desceu do céu para dar vida ao mundo.
João 6: 33-35 - "Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
34 Disseram-lhe, pois; Senhor, dá-nos sempre desse pão.
35 E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e quem crer em mim nunca terá sede."
Afirmando ainda que quem o come vive eternamente, e que o pão que ele daria pela vida do mundo era a sua carne, o seu corpo.
João 6: 53-57 - "Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressucitarei no último dia.
55 Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.
57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim."
Nós somos os que diariamente comem a carne e bebem o sangue do Senhor.
Essa atitude, tomada ao pé da letra, soa como um ato de selvageria.
Como podemos comer a carne de um homem?
Ou beber o sangue de um homem?
Foi isso mesmo que aqueles judeus pensaram.
O certo entretanto, é que esse fato diz respeito a nossa vida, ao nosso viver diário com Cristo.
Mas naquela ocasião muitos de seus seguidores ao ouvir isso, disseram:
João 6: 60 - "Duro é esse discurso; quem o pode ouvir?"
Eles agiram pelo seu conceito religioso e por isso não tiveram a revelação da Palavra de Deus; e, então, não puderam aceitá-lo.
Foi por isso que logo em seguida o Senhor lhes explicou o que ele queria lhes dizer:
João 6: 63 - "O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida."
Primeiro as palavras são espírito, depois vida; isto porque o espírito é vida.
Não é o pão físico que comemos na Ceia do Senhor, que é um símbolo!
Não é também o vinho, o cálice físico! Não se trata de transubstânciação; crença na qual o pão e o vinho se tornam o corpo e o sangue de Cristo.
Não se trata disso. Pão e vinho são símbolos que representam Jesus como o pão da vida e também como nossa bebida.
Nós somos os que comem e bebem o Senhor.
João 6: 66-68 - "Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andaram com ele.
67 Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna."
Vejamos o trecho do capítulo 26 do evanglho segundo Mateus, que relata a celebração, pelo Senhor Jesus, da sua Ceia.
Mateus 26: 26 - "Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo."
Portanto, temos a comunhão do Corpo de Cristo comendo. Comer foi a fórmula determinada por Deus para nós participarmos de Cristo, para termos a comunhão do Filho de Deus, a comunhão do seu corpo.
Mateus 26: 27, 28 - "E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei deles todos.
28 Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados."
Nesse trecho o Senhor nos fala a respeito do seu corpo e do seu sangue.
Foi se baseando nisso que Paulo falou o relatado em 1 Coríntios 10: 14-16.
Nós participamos do Senhor, ou seja, do seu sangue e do seu corpo, comendo e bebendo.
Na Bíblia os itens comer e beber são essenciais. No capítulo 2 de Gênesis havia a árvore da vida, e o rio da vida, para o homem comer e beber.
A sina do ser humano é come e beber. Na Nova Jerusalém, na eternidade futura, vamos ter também o rio da água da vida, que sai do trono de Deus, e a árvore da vida.
Vamos comer, beber e desfrutar o Senhor por toda a eternidade.
Também no reino milenar iremos comer e beber, desfrutando o Senhor na festa de casamento, as bodas do Cordeiro.
Hoje a nossa grande preocupação é sermos vencedores para podermos participar do reino milenar. Só vamos poder entrar no reino se comermos e bebermos do Senhor, enquanto estivermos andando na terra.
1 Coríntios 10: 17 - "Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão."
Isso se refere ao número de membros da igreja em uma cidade.
Talves na sua cidade haja somente vinte irmãos dando testemunho da vida da igreja; ou talves sejam mil, ou mais, entretanto, qualquer que seja o seu número constituirão sempre um único pão.
O que será que acontece quando comemos e bebemos do Senhor?
Nós nos tornamos um único pão, sem diferenças entre nós.
Na ressureição do Senhor todos nós fomos ressuscitados com ele, que é "as primícias", e nós, os frutos que vieram dele.
Será que somos grãos de trigo individuais, separados uns dos outros?
Ou somos um único pão.
Nós só seremos um único pão quando passarmos pela cruz.
Na mesa do Senhor existe só um pão. Eu estou ali, você está ali; não existe a minha pessoa individual e nem a sua.
Estamos todos mesclados naquele pão e, ao participarmos do único pão nos tornamos um único corpo, o Corpo de Cristo.
Portanto o pão sobre a mesa do Senhor representa a unidade da igreja.
A Bíblia ensina que o pão que partimos é o único, é um só, e todos participamos dele.
É por isso que Paulo diz em 1 Coríntios:
1 Coríntios 11: 27-29 - "Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice.
29 Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua pópria condenação, não discernindo o corpo do Senhor."
"Não discernindo" quer dizer: sem discernir que aquele pão é o pão da unidade. Quando participo daquele pão estou declarando ao mundo que sou um com os irmãos da igreja. Isso significa que não existem barreiras entre eu e meus irmãos.
Por causa da nossa alma (nosso homem natural), do nosso carater e da nossa personalidade geralmente não conseguimos coordenar-nos uns com os outros. É por isso que muitas vezes nos ofendemos facilmente ou ofendemos aos outros.
Se fôssemos estátuas de mármore não existiriam problemas. Num cemitério não existe nenhum problema, ali estão todos em perfeita hermonia, porém, no entanto não há vida.
Nós ainda não fomos transformados totalmente, pois ainda precisamos lutar com nosso homem natural, sendo que é por isso que precisamos da cruz.
Só a cruz pode transformar-nos em um pão único. Jesus foi crucificado para poder formar o seu corpo.Ele foi primeiro por isso que disse que devemos tomar a nossa cruz e seguí-lo.
Não devemos participar do pão levianamente. Através de divisões internas, fornicações, idolatrias e muitas outras coisas; os Coríntios participavam do partir do pão levianamente.
Fornicação: relação sexual ilícita, ou com vários parceiros; prostituição; meretrício.
É por causa disso que haveria entre eles os fracos e os que dormiam, ou seja, os doentes e os mortos fisicamente.
Jesus está voltando e não devemos apegar-vos a mágoas e ressentimentos, para não levá-los conosco para os mil anos de trevas, destinos dos não escolhidos, onde haverá choro e ranger de dentes.
Devemos, portanto, livrar-nos de todo ressentimento, mágoas e barreiras que possam existir entre nós e nossos irmãos.
Isso para que na próxima vez que partimos o pão, esse pão seja real para nós; e assim não comamos e bebamos juízo para nós mesmos.
Esse pão representa o "Corpo Místico de Cristo", ou seja todos os cristãos verdadeiros da cidade.
Talvez em algum grupo eles digam que o pão representa somente os irmãos daquele grupo, não permitindo que visitantes participem do pão.
Se eles agirem desse modo esse pão não será o "pão único", aquele que representa a unidade de todos os cristãos.
Temos de estar cientes de que ao observarmos esse pão temos de incluir todos os filhos de Deus que moram em nossa cidade, orando para que possam desfrutar um dia a vida da igreja.
O conceito básico desse contexto é o de que comer e beber nos torna um com o que comemos e bebemos.
Se comemos e bebemos o Senhor tornamo-nos um com Ele.
E quando participamos da Comunhão com o Corpo, tornamo-nos um com o Corpo, ou seja, um com os outros irmãos.
É sobre isso que Paulo fala em 1 Coríntios:
1 Coríntios 10: 18 - "Vede a Israel segundo a carne, os que comem os sacrifícios não são, porventura, participantes do altar?"
O povo de Israel que se reunia em volta do altar para desfrutar os sacrifícios eram participantes do altar. E não só do altar, mas também das ofertas que estavam sobre o altar. Por isso eles eram um, identificando-se com as ofertas.
Em 1 Coríntios 8 Paulo fala da comida sacrificada aos ídolos. No capítulo 9 há uma inserção na qual ele usou a si mesmo como exemplo de alguém que corre para chegar a meta, a ressurreição dentre os mortos, o galardão do reino milenar.
No capítulo 10 de 1 Coríntios ele cita um exemplo negativo a respeito dos que correram mas não chegaram a meta o Israel segundo a carne.
Ele contou então a história dos filhos de Israel de maneira resumida, desde a saída do Egito. Diz que todos foram batizados na nuvem e no mar, por intermédio de Moisés. Comeram de um só manjar espiritual, e beberam da mesma fonte espiritual, porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia.
E que essa pedra era Jesus Cristo.
Mas, por qual motivo Deus os tirou do Egito?
Para levá-los a Canaã a fim de que desfrutassem a nova terra.
O objetivo de Deus não era apenas o de tirá-los da escravidão do Egito. Mas também que entrassem na terra prometida, comessem e bebessem dos seus produtos, derrotassem os inimigos que lá encontrassem, estabelecendo assim o reino e finalmente edificassem um templo.
O objetivo de Deus não é só salvar-nos do lago de fogo, mas também fazer-nos vencedores.
Ele não nos salva apenas para que sejamos seus servos no céu um dia.
Ele deseja que comamos o Cristo como porção boa retirada da terra para que nos tornemos fortes. Então lutemos contra o inimigo, e o derrotemos, e o expulsemos da Terra por meio da expansão do Evangelho. E assim estabeleçamos nas nossas cidades o testemunho do Senhor Jesus e o reino de Deus.
E, finalmente, edifiquemos o templo, que é a igreja.
Quando a igreja for edificada o Senhor voltará e todos nós receberemos o galardão.
Paulo, porém, diz em 1 Coríntios:
1 Coríntios 10: 5 - "Mas Deus não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostados no deserto."
Infelizmente sabemos que muitos irmãos que correram conosco por um bom tempo desistiram da corriada e ficaram prostados. Eles se tornaram um exemplo para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
No versículo 13 Paulo dá a imprssão de que omite algo e vai para o versículo 14, a partir do qual começa a falar da Mesa do Senhor.
Ele não terminou a história do povo de Israel, mas disse que eles caíram.
Então, onde está a boa terra?
A boa terra hoje é a Mesa do Senhor, é o nosso desfrute no Senhor.
As reuniões do partir do pão, as reuniões nas casas, os grupos familiares, a comunhão diária com o Senhor, tudo isso é que é a boa terra de Canaã, ou seja, o nosso desfrute do Senhor.
Portanto, a comunhão do sangue de Cristo e a comunhão do corpo de Cristo é a boa terra. 
A mesa do Senhor é uma prefiguração da boa terra de Canaã, onde nós o desfrutaremos junto com todos os irmãos.
Ao comermos e bebermos do Senhor, nos fortalecemos para poder derrotar o inimigo, estabelecer o reino e edificar o templo, a igreja.
O versículo 18 fala dos participantes do altar. O contexto de Israel era o altar, onde todos ficavam a sua volta, e o sacrifício sobre o altar.
Todos tinham comunhão mútua e participavam do que comiam. E, comendo, ou seja, participando dos sacrifícios colocados sobre o altar, eles eram um com os sacrifícios.
Nós também, quer na reunião do partir do pão, quer no grupo familiar, ao desfrutarmos a palavra junto com os outros membros, nos encontramos em comunhão e participamos do altar, do sacrifício sobre o altar, que é o Senhor Jesus. Assim nos tornamos um com o Senhor.
Entre o povo de Israel havia o altar e hoje nós temos a Mesa do Senhor. Naqueles tempos sobre o altar estavam as ofertas e agora, sobre a mesa, temos o corpo e o sangue de Cristo.
Devemos enfatizar mais uma vez que quem come torna-se um com aquilo que come.
1 Coríntios 10: 19-21 - "Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou o que é sacrificado ao ídolo é alguma coisa?
20 Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.
21 Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios."
No capítulo 8, versículo 4 de 1 Coríntios Paulo ensina que o ídolo não é nada em si mesmo. A preocupação dele não é com o ídolo em si, pois ele não tem nenhum valor; mas, sim, com o que está escondido atrás do ídolo, é que, este sim, é perigoso.
A palavra "participantes" no versículo 20 significa ter comunhão. Alguém pode dizer que esse versículo é dirigido aos que praticam macumba ou candomblé, ou ainda para os espíritas.
Mas ocorre que não é por ai, pois existe diferença entre adoração a entidade e idolatria.
Adoração é curvar-se diante de uma imagem.
Já idolatria tem um sentido mais amplo. Isso porque existem irmãos que guardam imagens, crucifixos, estátuas e outras coisas semelhantes por causa do seu valor sentimental.
Ocorre que por trás desses objetos estão os demônios. Muitas vezes alguns irmãos tem sonhos, visões ou veêm vultos, porque procedendo assim abriram brechas para a entrada dos demônios que estão por trás dessas coisas. Quando tiramos essas coisas das nossas casas as pertubações desaparecem.
No versículo 21 ele fala a respeito da mesa do Senhor e também da mesa dos demônios, explicando que é tudo uma questão de cardápio, ou seja, de qual mesa você quer tirar seu suprimento.
É porque no mundo existem duas mesas: a Mesa do Senhor e a mesa dos demônios.
Vejamos um exemplo. Se você levar seu filho a uma benzedeira estará participando da mesa dos demônios.
Nós, os crentes, não podemos fazer isso porque ao fazê-lo abrimos brechas para os demônios entrarem em nossas casas.
Idolatria não significa somente adoração a ídolos, mas, implica também em desfrutar qualquer coisa no lugar do Senhor.
Uma coisa é desfrutar algo com o Senhor, outra coisa é desfrutar algo no lugar do Senhor.
Não há nada de errado em ouvir boa música, se você a ouve estando na presença do Senhor. Mas se você ouve música e a coloca no lugar do Senhor, a música passa a ser um ídolo para você.
Agindo dessa maneira você não desfruta mais do Senhor, e pratica a idolatria.
Se você está presente na vida da igreja, lê a palavra, desfruta o Senhor com os irmãos, prega o evangelho, ora, oferta ao Senhor, você participa da Mesa do Senhor.
Tudo o mais é a mesa dos demônios.
Como já vimos, o versículo 20 do capítulo 10 de 1 Coríntios diz:
1 Coríntios 10: 20 - "Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios."
A palavra "sacrificam" tem o significado de comer. Aqui o sacrificio é comer.
Quando você come algo, você sacrifica. Quando alguém come da mesa dos demônios sacrifica aos demônios. Quando comemos da mesa dos demônios tornamo-nos um com eles, ou seja, passamos a ter comunhão com os demônios.
Satanás tem uma mesa enorme para você. A mesa dos demônios, o banquete de Nabucodonozor; as finas iguarias que Daniel recusou comer.
Daniel 1: 8 - "E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; porquanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar."
Deus, por sua vez, nos prepara uma mesa na presença dos nossos adversários, e o nosso cálice transborda.
Salmo 23: 5 - "Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda."
Dentre as finas iguarias que Satanás nos oferece em sua mesa está a música do mundo. Quando ouvem a música do mundo as pessoas ficam escravizadas por ela.
Quem age assim come da mesa dos demônios, porque atrás dessas músicas estão os demônios.
Para entendermos melhor isso basta que olhemos para esses cantores e músicos e também para a vida que eles levam.
Será que procedendo assim eles ajudam as pessoas entrar no céu?
É claro que não. Portanto essa é uma mesa dos demônios.
O mesmo ocorre com os jogos eletrônicos, com filmes, com a televisão, com a internet, etc.
1 Coríntios 10: 21 - "Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios, não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios."
Tudo isso faz parte do mundo do entretenimento, que é a maior mesa que o inimigo oferece hoje em dia
Existe algo errado quando uma pessoa se diverte? Não, mas devemos nos divertir com o Senhor.
1 Coríntios 10: 23 - "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam."
1 Coríntios 10: 22b - "Por acaso vocês pensam que somos mais fortes do que eles?"
Ele é mais forte e acabará nos dobrando. Se não for nesta era será na próxima, no milênio. Ali, nas trevas, com choro e ranger de dentes, ele nos irá fazer comer da sua mesa.
Entretanto nós não queremos a mesa do milênio, mas a outra mesa, a das bodas do Cordeiro, no reino milenar.
Chegamos finalmente ao assunto referente a Ceia do Senhor.
Observamos que no capítulo 11 de 1 Coríntios há uma mudança de reino.
Do capítulo um ao décimo Paulo tratou dos problemas relacionados com a vida cristã dos Coríntios, e apontou que a solução era o Cristo crucificado.
Nós cremos que a cruz é a solução, e nós a experimentamos quando nos unimos ao Senhor, sendo um só espírito com ele.
A partir do capítulo 11 Paulo começa a tratar dos problemas que surgem na administração de Deus.
É por isso que entre a Mesa do Senhor, no capítulo 10, e a Ceia do Senhor no 11, existe um trecho que fala do encabeçamento de Deus. (1 Coríntios 11: 1-16) 
Deus possui uma administração, ou seja, um governo para o Universo.
Aqui na Terra não existe somente a questão de comer, beber e desfrutar para nos satisfazer. Mas também há a questão da administração divina.
Na Terra Deus tem um modo de governar, e nele há uma ordem a ser seguida: Deus como o cabeça de todas as coisas, depois Jesus Cristo como o cabeça do homem e finalmente o homem como o cabeça da mulher.
Com relação a Mesa do Senhor a ênfase está em desfrutar, ou seja, ter comunhão com o corpo e o sangue do Senhor. Que são o cálice e o pão, para participar do Senhor, desfrutando-o.
Então, a "Mesa do Senhor" nos faz desfrutá-lo com vista a nossa satisfação.
Já a "Ceia do Senhor" inverte o foco do destinatário. Não é uma cerimônia que visa a nossa satisfação, mas a satisfação e o desfrute de Deus.
Ela é celebrada para que nos lembremos sempre dele, servindo, portanto, para sua satisfação.
1 Coríntios 11: 23-30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
24 e tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
25 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
26 Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha.
27 Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice.
29 Porque o que come e bebe indignamente come e bebe sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.
30 Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem."
Assim os vesículos 24 e 25 trazem as palavras "em memória de mim"; e no versículo 24 ainda lemos "isto é o meu corpo que é partido por vós".
Este é o corpo físico de Jesus, partido na cruz, por nós, visando cumprir a redenção que Deus preparou.
Já o versículo 29 relata que quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si mesmo.
Nele não se diz quem come o corpo do Senhor ou bebe o seu sangue, mas sim, quem come e bebe sem discernir o corpo.
O versículo não se refere ao corpo e o sangue de Jesus, mas sim de "discernir" o corpo. Trata-se, portanto, do corpo místico de Cristo, a sua igreja.
Então o versículo 24 se refere ao corpo físico do Senhor Jesus, que cumpriu a nossa redenção diante de Deus.
E o 29 nos mostra que existe outro corpo, o "corpo místico de Cristo", que é a igreja.
Então, qual será a diferença entre o corpo físico de Jesus e o místico de Cristo?
O corpo físico foi partido para realizar a nossa redenção. O corpo místico de Cristo, a igreja, visa ajudar na administração da Terra, para satisfação de Deus.
Vemos, então, que é necessário mudar o nosso modo de compreender o texto; isso porque até agora temos achado que Cristo veio para ser o nosso desfrute, como nossa comida e nossa bebida.
Verificamos, então, que precisamos nos preocupar com o que Deus deseja que façamos.
Nos versículos 24 e 25 está claro que na Ceia do Senhor o objetivo é de que devemos nos lembrar dele.
Não se trata apenas de nos lembrarmos do Senhor naquele momento. Deus exige mais do que isso; quer que seja para a memória do Senhor, ou seja, para que nos lembremos dele sempre.
O versículo 26 fala que todas as vezes que comemos o pão e bebemos o cálice anunciamos a morte do Senhor.
Muitos pensam que ao partirmos o pão na Ceia do Senhor devemos nos lembrar da sua morte; tentando enxergar a sua crucificação, o sangue derramado, a coroa de espinhos, os açoites, enfim, todos os sofrimentos que ele passou.
Porém, o certo é que não está escrito lembrais da morte do Senhor, mas no verso 26 está escrito "anunciais a morte do Senhor".
Anunciar significa declarar. Portanto precisamos declarar para o mundo que Jesus Cristo morreu por nós.
Não é então lembrarmo-nos da sua morte, mas sim da sua pessoa, e assim declarar a sua morte até que ele venha novamente.
Isso tem tudo a ver com a segunda vinda de Cristo.
1 Coríntios 11: 28 - "Examine-se, pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice."
Quando comemos o pão e bebemos do cálice, no tocante a Mesa do Senhor, precisamos tomar cuidado. Devemos verificar se o fazemos de forma digna, ou se vivemos em pecado e cheios de ressentimentos. Precisamos saber lidar com isso para podermos examinar-nos a nós mesmos.
Todavia, com relação a Ceia do Senhor, examinar-nos é mais do que isso.
Isto porque além de observarmos se temos pecados devemos ainda perguntar: será que tenho vivido colaborando com o propósito de Deus, e assim ajudando-o na sua administração. Será que o que eu faço produz fruto que ajude a trazer o Senhor Jesus?
Isso é que significa examinar-se a si mesmo.
1 Coríntios 11: 29 - Porque o que come e bebe indignamente come e bebe sua própria condenação, não discernendo o corpo do Senhor."
"Discernir" o corpo significa que existe um único corpo de Cristo na Terra, sem divisão.
O pão que partimos representa o único corpo místico de Cristo, que é o único capaz de executar a administração de Deus na Terra, e, assim, colaborar para trazer o seu reino. Esse é o primeiro discernimento que precisamos ter.
Mais do que isso, porém, discernir o corpo é verificar se o nosso viver tem dado satisfação a nosso Senhor.
E também se o nosso comportamento na igreja tem sido correto, visando trazer o reino de Deus para a Terra.
Precisamos discernir o corpo pois ele é o instrumento que Deus usa para levar a cabo sua administração.
Toda a expectativa de Deus está voltada para nós, o corpo, e por isso precisamos nos conscientizar disso e dizer ao Senhor: Senhor! Estamos disponíveis e dispostos a cooperar contigo.
Cristo é a cabeça no céu, e nós, o corpo, somos sua expressão na terra.
Ele comanda a igreja e por isso nós não temos liberdade. Ele exerce seu ministério celestial, para fazer a vontade do Pai, por intermédio do seu corpo; sendo por isso que nós só podemos dizer "sim" e "amém".
Devemos servir ao Senhor para ele cumprir sua tarefa, ou seja, trazer o reino de Deus a Terra.

Jesus Cristo é o Senhor!


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